Receber o diagnóstico de um filho com autismo é um momento que transforma vidas, trazendo uma mistura de emoções, dúvidas e aprendizados. Para Ana Carolina do Nascimento, mãe de Gustavo do Nascimento de Almeida, de 17 anos, essa jornada foi marcada por desafios, mas também por grandes conquistas.
Moradora de Feira de Santana (BA), ela compartilha sua experiência, desde o impacto inicial do diagnóstico até a luta diária por inclusão e independência para seu filho. Nesta entrevista, Ana Carolina nos conta como lidou com os desafios, a importância do apoio familiar e o que ainda precisa mudar para que a inclusão aconteça de verdade.
Como foi para você receber o diagnóstico do seu filho e o que mudou na sua visão sobre o autismo desde então?
“Foi um turbilhão de emoções. Senti um misto de alívio por saber que eu não estava errada e que realmente havia algo ali; medo, porque nunca tinha ouvido falar sobre autismo antes; e ansiedade por entender que seria uma jornada de terapias e intervenções para toda a vida dele. Mas, acima de tudo, senti gratidão por saber que ele era saudável e que eu faria tudo ao meu alcance para garantir o maior nível de independência possível para ele.”
Você percebe que a sociedade está mais aberta e informada sobre o autismo hoje em dia? Que mudanças ainda são necessárias para garantir mais inclusão?
“A sociedade está mais aberta, até porque hoje em dia é comum que cada família conheça alguém dentro do espectro autista. Antigamente, o tema não surgia em rodas de conversa, mas hoje há mais conhecimento sobre o assunto. No entanto, ainda estamos longe do que pode ser chamado de inclusão. As escolas precisam de metodologias específicas para essas crianças e adolescentes. Muitas apenas cumprem o que a lei exige, mas sem real adaptação. Além disso, precisamos de ações voltadas para adolescentes e adultos com autismo, pois essas crianças crescem e continuam precisando de apoio.”

Quais foram os momentos mais desafiadores na sua jornada como mãe atípica e como você encontrou forças para superá-los?
“A inserção na escola foi um dos maiores desafios. Foram inúmeras adaptações, medos e angústias, pois eu não sabia como ele se sairia nessa nova experiência. Tive avanços e momentos felizes, mas também passei por situações difíceis. O que me deu forças foi o amor incondicional por ele. Esse amor me fez lutar e insistir sempre, porque sei que ele é capaz de ser e fazer qualquer coisa.”
Existe alguma atitude ou apoio específico que fez (ou faz) muita diferença para você e seu filho?
“Sem dúvidas, o apoio da família. Sem ele, eu não teria conseguido suportar essa jornada sozinha.”
Se pudesse deixar um conselho para outras mães que estão recebendo o diagnóstico agora, qual seria?
“Nunca desistam de seus filhos! Trabalhem para que eles sejam o mais independentes possível. Hoje estamos aqui por eles, mas e amanhã?”
A história de Ana Carolina é um exemplo de amor, força e resiliência. Sua trajetória mostra que, apesar dos desafios, o apoio da família e a luta por inclusão fazem toda a diferença. Que essa conscientização vá além de uma data no calendário e se transforme em ações reais, garantindo que todas as pessoas com autismo tenham o respeito e as oportunidades que merecem.
Por Lílian Fernandes