No dia 2 de abril, comemoramos o Dia da Conscientização sobre o Autismo, uma data criada com o objetivo de ampliar o conhecimento, promover a compreensão e incentivar a inclusão de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Além disso, busca-se fortalecer o apoio às famílias e profissionais que atuam no desenvolvimento dessas crianças e adolescentes.
Para entender os desafios enfrentados pelas famílias e as melhores estratégias para o desenvolvimento infantil, conversamos com Talyta Meirelles, psicopedagoga e especialista em Análise Aplicada do Comportamento (ABA), com mais de 20 anos de experiência em Feira de Santana (BA). Em sua entrevista, ela abordou a importância do diagnóstico precoce, os desafios da inclusão escolar e o papel das famílias na jornada do autismo.
Os desafios antes e após o diagnóstico
Talyta Meirelles explica que os desafios começam antes mesmo da confirmação do diagnóstico. Após o laudo, a família — especialmente a mãe — costuma passar por diferentes fases, que vão desde o luto e a negação até a aceitação e busca por intervenção precoce.
● Fase do luto: Momento em que os pais precisam de acolhimento para desconstruir a imagem do filho idealizado e aceitar a criança real, com todo o amor e dedicação.
● Negação: Algumas famílias resistem ao diagnóstico, acreditando que houve um erro. A orientação profissional é fundamental para destacar a importância da intervenção precoce.
● Busca pela cura: Uma fase delicada, pois o autismo não é uma doença e não tem cura. Infelizmente, muitas famílias são alvos de golpistas que prometem tratamentos milagrosos. O papel do profissional é acolher e direcionar corretamente a família.
Inclusão escolar: desafios e estratégias
Na educação inclusiva, cada criança deve ser tratada de forma única. Segundo Talyta Meirelles, forçar o aluno a seguir o mesmo ritmo das outras crianças pode gerar frustração. A inclusão se torna mais eficaz quando há uma avaliação individualizada, permitindo acompanhar o progresso de cada aluno e adaptar o ensino de maneira adequada.
O professor desempenha um papel essencial nesse processo, registrando informações relevantes e contando com o feedback da família. A avaliação diagnóstica permite compreender as habilidades da criança, garantindo um ensino mais adequado e seguro.

Mentoria educacional e formação de profissionais
Com anos de experiência, Talyta Meirelles também atua na capacitação de outros psicopedagogos, auxiliando-os a aprimorar suas práticas e promover uma educação mais inclusiva. Segundo ela, um erro comum é olhar para a criança apenas a partir de um viés médico.
“Somos professores e psicopedagogos, e nossa avaliação deve considerar o sujeito social. Isso faz toda a diferença”, ressalta.
Ela também reforça que ser um bom profissional exige mais do que apenas uma formação acadêmica. “Buscar atualização constante, conhecer o aluno a fundo e dialogar com a família são fundamentais. Cada criança é única e responde de forma diferente às intervenções.”
O papel essencial da família
Uma das abordagens mais eficazes para o desenvolvimento da criança autista é a orientação parental. Quando os familiares compreendem as intervenções e as aplicam no dia a dia, os resultados são significativamente melhores.
“A evolução das crianças cujos pais seguem as orientações é impressionante! O envolvimento familiar potencializa o aprendizado e torna o processo mais eficaz”, afirma Talyta.

Uma mensagem para as famílias
Por fim, Talyta Meirelles deixa uma reflexão para todas as famílias que vivem essa jornada:
“Que possamos ir além da conscientização. Falamos muito sobre autismo, mas precisamos transformar esse conhecimento em prática. A conscientização deve ocorrer nos 365 dias do ano, e não apenas em uma data comemorativa. O verdadeiro impacto acontece quando aplicamos esse aprendizado no dia a dia, com ações concretas. Isso, sim, faz toda a diferença!”
Por Lílian Fernandes